quinta-feira, 12 de março de 2009

Clima pode comprometer 85% da Floresta Amazônica















Por GUSTAVO FALEIROS colaborador para a Folha de S.Paulo, em Copenhague .


A Amazônia está condenada a perder no mínimo 20% de sua fisionomia original com as mudanças climáticas. O impacto pode ser ainda pior e afetar 85% da floresta se as temperaturas subirem além de 4C, comparadas com níveis pré-industriais.
Este foi o quadro sombrio apresentado pelo Centro Hadley, instituto de meteorologia do Reino Unido, durante o Congresso Científico Internacional sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague.

O estudo sobre a resistência de ecossistemas a um nível perigoso de mudança climática usou cerca de 700 simulações em computadores para projetar o destino de florestas e geleiras. Esses modelos traçaram cenários de emissão de gases do efeito estufa e quais seriam as consequências. A partir destes dados, os pesquisadores testaram a sensibilidade da Amazônia ao calor e à seca.
Os resultados, que serão publicados na revista 'Nature Geoscience', são pessimistas. Até 2100, uma elevação entre 1C e 2C causaria uma 'retração' da floresta de 20% a 40%, e os efeitos serão bem mais severos se as temperaturas romperem esse patamar. A pior hipótese testada é uma alta de 4C, que reduziria a Amazônia a apenas 15% do que é hoje.

Segundo Vicky Pope, coordenadora do Hadley, em um planeta mais quente, espécies do cerrado (uma savana) avançaria rumo ao Norte.

'O que descobrimos é que mesmo a mais modesta elevação de temperatura afetará a floresta severamente', disse Pope à Folha.

Projeções sobre a savanização da Amazônia já vinham sendo feitas no Brasil pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Um estudo de 2007 alertava que aumentos de temperatura de '2C a 6C' aliados a períodos de seca mais severos transformariam até 18% da maior floresta tropical do planeta em algo similar ao cerrado.

O novo estudo do Hadley, entretanto, é o primeiro a mostrar, no longo prazo, a relação entre temperaturas específicas e as taxas de savanização.

Os cientistas ingleses também afirmam que uma recuperação da floresta após tudo isso não ocorreria em menos de cem anos. Alguma perda haverá, pois a temperatura global não está longe de alcançar uma elevação 1C em relação a níveis do século 19.

Segundo Pope, a melhor chance de evitar efeitos significativos na Amazônia é limitar a subida da temperatura a no máximo 2C. Para tanto, as emissões de gases-estufa precisariam atingir um pico em 2015 e a partir daí caírem 3% ao ano. Ainda assim, a probabilidade de o aquecimento efetivamente se estabilizar é de 50%.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009









PALESTINA


A visão sagrada de Israel.
Quando o sagrado torna-se profano. Onde a guerra é travada pela paz. Os judeus consideram-se um só povo e uma só religião que nasce da revelação divina direta. O povo escolhido macula as próprias leis bíblicas numa disputa desigual pela conquista da Terra Santa.

Por José Luís Fiori (05/02/2009).


"Se o Hamas quer acabar com Israel, Israel tem que acabar com o Hamas antes". Efraim, 23 anos, estudante de uma escola religiosa de Jerusalém, FSP 24/01/2009.
Durante vinte um dias de bombardeio contínuo, Israel lançou 2.500 bombas sobre a Faixa de Gaza – um território de 380 km2 e 1.500 milhão de habitantes. Deixou 1.300 palestinos mortos e 5.500 feridos e 15 israelenses mortos.

A infra-estrutura do território foi destruída completamente, junto com milhares de casas e centenas de construções civis. E é provável que Israel tenha utilizado bombas de "fósforo branco" - proibidas pela legislação internacional - com conseqüências imprevisíveis , no longo prazo, sobre a população civil, em particular a população infantil. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, declarou estar "horrorizado", depois de visitar o território bombardeado e considerou "escandalosos e inaceitáveis" os ataques israelitas contra escolas e refúgios mantidos em Gaza, pelas Nações Unidas.

Richard Falk, relator especial da ONU sobre a situação dos Direitos Humanos em Gaza, também declarou que, "depois de 18 meses de bloqueio ilegal de alimentos, remédios e combustível, Israel cometeu crimes de guerra e contra a humanidade na sua última ofensiva contra os territórios palestinos. Crimes ainda mais graves, porque 70% da população de Gaza tem menos de 18 anos".

Dentro de Israel, entretanto - com raras exceções - a população apoiou a operação militar do governo. Mais do que isso, as pesquisas de opinião constataram que o apoio da população foi aumentando na medida em que avançavam os bombardeios - chegando a índices de 90%. E no final, na hora do cessar-fogo, metade era favorável à continuação da ofensiva, até a reocupação de Gaza e a destruição do Hamas. (FSP, 24/01/09).

Seja como for, duas coisas chamam a atenção – de forma especial - nesta última guerra: a inclemência de Israel e sua indiferença com relação às leis e às críticas da comunidade internacional. Duas posições tradicionais da política externa israelita, que têm se radicalizado cada vez mais e são quase sempre explicadas pela "escalada aos extremos" do próprio conflito. Mas existe um aspecto desta história que quase não se menciona, ou então é colocado num segundo plano, como se as "visões sagradas" do mundo e da história fossem uma característica exclusiva dos países islâmicos.


Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil - http://www.diplo.org.br/





















Idealizador do VLT em Brasília critica proposta do governo.

Para especialista, governo ignora problemas fundamentais. Começar por Taguatinga, diz, geraria mais desenvolvimento.

Camilla ShinodaDa Secretaria de Comunicação da UnB.

O professor Joaquim Aragão, do departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UnB, um dos idealizadores do primeiro projeto do veículo leve sobre trilho (VLT) para o Distrito Federal, afirma que não há resquício de sua proposta original no mais recente projeto do governo para a implantação do sistema.
Aragão acusa o Governo do Distrito Federal (GDF) de falta de planejamento e de estudos para a construção do primeiro trecho do metrô leve na avenida W3 Sul. “Não sou contra o VLT. Fui eu quem sugeriu essa opção. Sou, sim, contra a forma como as coisas estão sendo conduzidas”, diz.O especialista integrou a primeira comissão de estudos de transporte convocada pelo vice-governador, Paulo Octávio, em 2007, para apresentar alternativas para o sistema sobre trilhos.

Dois anos depois, afirma Aragão, o plano diretor da obra não está pronto. “Na audiência do dia 11 de fevereiro o GDF só deu respostas evasivas quando perguntado sobre o plano diretor", conta. "Acontece que as obras não podem começar sem isso. É ilegal”, argumenta. O início da construção do primeiro trecho do VLT está previsto para abril. Segundo a assessoria de imprensa do Metrô de Brasília, o plano diretor estará pronto antes dessa data.

CRUZAMENTOS - O professor afirma que, para implantar um sistema como o do metrô leve, é preciso realizar estudos de mobilidade e planejamento urbano. “Penso na cidade e em como ela vai crescer”, diz. De acordo com Aragão, o projeto possui uma série de problemas de concepção. “Não existe plano de circulação, nem de estacionamento, e não se sabe como o VLT vai ser integrado com os outros modos de transporte."
Aragão lembra que o problema dos cruzamentos envolvendo diferentes meios de transporte continua sem solução. Além disso, as autoridades não explicaram o que será feito com a vegetação existente no canteiro central da avenida.

TAGUATINGA – A proposta inicial do professor Joaquim Aragão apontava Taguatinga como o melhor lugar para implementar o primeiro trecho metrô leve no Distrito Federal. “Nós temos que dinamizar a periferia do DF. As pessoas se esquecem que a maior parte da população mora lá”, explica o professor, que também é coordenador científico do Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes (Ceftru).

O especialista afirma que a região administrativa possui melhores condições de comportar o desenvolvimento econômico e o aumento no fluxo de pessoas proporcionado pelo novo meio de transporte. “Diferentemente da W3, Taguatinga ainda tem espaço para crescer”, explica.Segundo o engenheiro, a proposta de VLT na periferia custaria R$ 600 milhões, mas seria paga rapidamente com um aumento de apenas 30% na área construída da cidade. “Coisa que não será possível no Plano Piloto.”


Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

IPCC











15/02/2009 - 14h10
Gravidade do aquecimento global foi subestimada, diz cientista da ONU.



O aquecimento global no decorrer deste século será mais grave do que se acreditava até agora, segundo Chris Field, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês).O especialista afirmou ainda que as temperaturas futuras "vão passar de qualquer valor que tenha sido previsto".


Field fez o alerta no sábado, durante o encontro anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), em Chicago.Ele foi um dos autores do relatório divulgado pelo IPCC em 2007, que estimava que as temperaturas iriam subir entre 1,1ºC e 6,4ºC até o fim deste século.


O cientista, no entanto, diz que o relatório subestimou seriamente a escala do problema. Ele apresentou dados novos que mostram que as emissões dos chamados gases do efeito estufa aumentaram muito mais rapidamente que o esperado entre 2000 e 2007.


Segundo Field, este aumento foi provocado principalmente pela queima de carvão para obter energia elétrica na China e na Índia."Estamos basicamente olhando agora para um futuro climático que está muito além de qualquer coisa que tenhamos considerado nas políticas climáticas", afirmou.


Ele disse ainda que o impacto nas temperaturas ainda é desconhecido, mas o aquecimento tende a se acelerar em um ritmo muito mais rápido e a provocar ainda mais danos ambientais do que se previa.


De acordo com o cientista, isso incluiria a seca de florestas nas áreas tropicais, tornando-as muito mais vulneráveis a queimadas.As temperaturas mais altas também poderiam acelerar o derretimento do permafrost - tipo de solo da região do Ártico -, aumentando dramaticamente a quantidade de carbono na atmosfera."Sem uma ação efetiva, as mudanças climáticas vão ser maiores e muito mais difíceis de se lidar do que pensávamos", concluiu.

Fonte: Uol Notícias

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Flexibilizações no Código Florestal




















06/ 02/ 2009 - MEIO AMBIENTE

"A política do governo vai acabar com a Amazônia", afirma professor da UnB.
Estudiosos da UnB criticam decisão do governo de reduzir o reflorestamento de 80% para 50% nas áreas desmatadas.



Por Kennia Rodrigues .
Secretaria de Comunicação da UnB.



“Os produtores vão comendo pelas beiradas, até a floresta acabar. Já estamos consumindo mais que podemos. E as implicações são as mudanças climáticas”, afirma o professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília, Othon Leonardos. A crítica refere-se à decisão polêmica do Ministério do Meio Ambiente de reduzir a área de reflorestamento na região próxima à rodovia BR-163, no Pará. A partir de quinta-feira, 5 de fevereiro, o replantio será feito em apenas 50% do terreno desmatado, em vez dos 80% anteriores.
A área onde deveria haver recomposição florestal está dentro da Amazônia Legal e representa 7.100 km2, terreno maior que o Distrito Federal. Pela legislação, os produtores instalados em toda reserva amazônica devem reflorestar 80% da área que desmataram. Mas, com a medida, eles passam a ter obrigação de replantar metade da extensão de suas propriedades.
Embora prevista no Código Florestal, a flexibilização traz debates acirrados. “Está na contramão da história, do processo de preservação da Amazônia”, analisou o especialista da UnB, Humberto Ângelo. Aprovada pela Comissão Coordenadora do Zoneamento Ecológico Econômico do Território Nacional - grupo formado por representantes de 13 ministérios – ela ainda terá de passar pelo crivo do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Se acatada pelo colegiado do ministério, será submetida à sanção do presidente Lula. A medida vale para aqueles que desmataram até 2005. “A redução da área privada com cobertura florestal atende ao interesse privado. O interesse público esta restrito às áreas públicas que alcançam índices insignificantes”, opina outro pesquisador em florestas, também da Universidade de Brasília, Carlos Rossetti.
JUSTIFICATIVA – O diretor de zoneamento territorial do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Vizentin, explica a decisão do governo. Três motivos respaldaram a deliberação, de acordo com ele. Um deles é que a flexibilização diminui a pressão de desmatamento sobre novas áreas da floresta.
Outra justificativa é que área de influência da rodovia possui grande presença de grupos sociais, e “não há nenhuma possibilidade de imaginar uma medida drástica nesse momento de simplesmente exigir a recomposição integral, já que no passado não se adotaram políticas e mecanismos que evitassem a situação”, declara Vizentin.
DESTRUIÇÃO - Para Leonardos, a decisão do governo, amparada no argumento de alcançar a legalidade é mais uma prova de descontrole e incompetência no trabalho de fiscalização. “É uma hipocrisia. Os criminosos desmatam e depois o governo passa a mão na cabeça. Daqui a pouco vem nova pressão deles e diminuem os 50%”, diz o professor.
Em um futuro próximo, analisa Rosseti, a floresta original estará apenas em áreas públicas. “Este processo ocorreu com a Mata Atlântica ao longo da costa brasileira e também com a Floresta de Araucária”, lembra. “Isso prova que o valor da floresta ainda não alcança o valor da proteína vermelha (pecuária) nem o valor da proteína verde (soja) e outras culturas de ciclo curto, como cana de açúcar, arroz, feijão”, finaliza o especialista.


Todos os textos e fotos podem ser utilizados e reproduzidos desde que a fonte seja citada. Textos: UnB Agência. Fotos: nome do fotógrafo/UnB Agência.